July 8, 2009

Err... duh!


Quando eu era criança pequena lá em Minas Novas, terra de doido, mais pra lá de Barbacena. Mãe me ensinou a não chamar ninguém de burro, "ninguém é burro", ela dizia. E eu nunca duvidei de mãe, nunca duvidei do conhecimento teórico de mãe, que seja esclarecido.



Mas cresci e descobri o mundo ruim que mãe cantava pra mim, tomando emprestada a canção de Toquinho e Vinícius. Cresci um pouco mais que aqueles três palmos e já não tenho mais medo de bicho papão. Tenho medo de Lula, Obama, Kim Jong-il e aviões que caem misteorisamente no mar. Medos fundados, acho bem justos. O bicho papão, infelizmente, foi passear na casa da Carochinha.

E descobri que quando mãe dizia que ninguém é burro, ela só não queria que eu, então menina bonita com laço de fita no cabelo, passasse por criança chata, porque é feio chamar as pessoas de burras assim, na lata, mesmo quando nós, e os dito cujos, sabemos que são. A gente disfarça, dá risadinha, olha pro lado, finge que não viu, não leu, não sabe de nada, finge que é o burro em questão, pra não soltar um palavrão daqueles bem grandes, daqueles que fazem o bicho papão vir te pegar, na cara do sujeito.

Nesse mundo ruim, mundo circo que transforma velório em espetáculo e acha bonito botar criança chorando no palco pra entreter multidão, ainda é feio chamar um sujeito de burro, tem que fantasiar, passar a mão na cabeça e deixar passar batido pra não ofender, é se fingir de égua e deixar o circo pegar fogo porque o pão tá garantido.

E como mãe nada disse sobre burrice na internet, não há porque não dizer aqui: "tu é muito burro mermo, mano. volta pra escola, mermão. num enche a p*rra do saco." Porque tem gente que de tão burra e alienada manga da minha inteligência. Mas continuo com aquela política de ficar calada, e dar meus bois pra cair fora da discussão, ainda mais quando discussão corre desse jeito aí, relinchando. Tô fora, muleque!



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