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March 23, 2010

"We don't need no education"?


Recentemente, Angelina Jolie, além de ser fotografada pra cima e pra baixo pelos canais de Veneza - onde ela filma, com Johnny Depp, mais um filme de ação Hollywoodiano - com o marido e os seis filhos a tiracolo, doou, de acordo com um artigo (em inglês) publicado no site oficial da ONU, 75 mil doláres para a construção de uma escola para meninas no Afeganistão. A escola atenderá, ainda de acordo com o site, cerca de 800 meninas afegãs que, por razões culturais, não podem frequentar uma escola frequentada por meninos, mesmo que não haja contato entre eles ou que estudem em horários diferentes (vai entender).

Boas ações e Hollywood à parte, em 2006 a - excessivamente dramática - apresentadora da NBC Ann Curry, em entrevista com uma visivelmente grávida e, por isso, dita risonha Jolie, fala à atriz, em trecho transcrito abaixo, de uma outra mulher, igualmente "famosa", que se importa muito, como ela, com educação:

Curry: Tem uma outra pessoa muito famosa que fala muito sobre educação. E você soa bastante como ela... Laura Bush. - Angelina ri - Na verdade, ela fala especificamente sobre esse assunto, educar meninas.

Jolie: Então ela deveria dar um cutucão no marido dela. - Jolie gargalha e eu não consigo não rir junto. Piada sobre Bush nunca fica velha. :D

Curry: Eu acho que ela dá.

Jolie: Yeah...

E segue a entrevista com uma crítica da atriz ao que os EUA não fazem para ajudar países menos "afortunados".

Quatro anos depois, tudo continua como antes no reino de Dantes, mudaram-se as cabeças, mas a única coisa que ainda se faz lá fora é guerra.



Entrevista completa no site da NBC ou no Youtube, lógico, porque foi lá que eu vi. (tudo em inglês) :-)


July 27, 2009

Em caras de presidentes*


"É o desejo dessa gente querer um Brasil mais decente..."




Eu sei que o assunto tá velho pros padrões de informação atuais, e o que acidente de Massa já cobriu a manchete, e sei que já disse que picaria minha mulinha do território político, mas cada vez que penso nessa imagem me dá um misto de raiva e decepção. Volto lá naquele 1989, da estrela que brilharia (e brilhou, com um pouquinho de atraso), eu ainda era parte do Brasil criança, mas tenho lá minhas memórias. Ainda mais claras, tenho as do Fora Collor, e se não tenho a história.


Esse abraço fez eu me questionar sobre a esperança que venceria o medo, não que eu já não andasse fazendo isso, mas além do medo ter sobrepujado a esperança, ele veio acompanhando de nojo, e raiva, é como uma barata que entra em nossa casa, a gente sente medo, nojo e uma vontade quase incontrolável de esmagar o bicho.


"... estou frustrado, possivelmente como milhões de brasileiros."**


Dizem que brasileiro não sabe votar, mas sendo o voto obrigatório e escassas as opções, acho injusto culpar os brasileiros. Somos um povo acomodado, sem memória (!), é verdade, mas numa das poucas vezes que conseguimos colocar abaixo o inimigo por méritos nossos, e um empurrãozinho da Rede Globo, ele foi abraçado (literalmente) pelo nosso presidente.


Agora arranque essa estrela do peito. No mais, faço minhas as palavras do candidato à presidente de 1989.


* Caetano Veloso, Alegria Alegria.
** Lula em 1994, após Collor ser absolvido pelo STF.



February 20, 2008

Sobre Cuba e sonhos antigos

No me despido de ustedes. Deseo solo combatir como un soldado de las ideas. Seguiré escribiendo bajo el título "Reflexiones del compañero Fidel" . Será un arma más del arsenal con la cual se podrá contar. Tal vez mi voz se escuche. Seré cuidadoso.


[Fidel Castro Ruz - 18 de fevereiro de 2008]

Se me faltavam motivos, ou 'inspiração', para escrever, agora os tenho (um post que seja).



Cuba já não existe! Não, a ilhazinha não submergiu no Mar do Caribe, tampouco foi bombardeada pelo inimigo a 90 milhas. Mas a Cuba, tal como a conhecemos, tal como a conheci, já não existe. Fidel, o último mito vivo, nas palavras de sua excelência, o presidente Lula, seriamente debilitado por sua doença e sem condições físicas de se manter à frente do governo cubano, renunciou nesta semana.

Mesmo em discordância com os métodos implantados pelo Comandante na ilhazinha, mesmo não achando que as pessoas devam ser privadas de seus direitos de ir e vir e ainda menos de seu direito perpétuo de pensar e expressar pensamentos a seu bel-prazer, é admirável como Cuba resistiu e resiste às pressões do Imperialismo americano.

Ainda que irrelevante para os rumos do Socialismo ou fim do Capitalismo no mundo, Cuba é a pedra no sapato do Governo estadunidense (que não consegue fazer cair o regime na ilha e não o fez graças à mão firme de Fidel), não porque Cuba represente um perigo à economia mundial, que o mundo vá se inspirar na ilhazinha e se voltar contra a atual ordem, pelo contrário, o mundo (inclusive eu) parece se lançar, a cada dia com mais voracidade, aos braços do Capitalismo, do Brasil utópico do então aspirante a presidente Lula a China de Mao, já não restam esperanças para o Socialismo.

Cuba não é e jamais será uma ameaça ao Imperialismo - representasse Fidel uma ameaça e já teria sido exterminado, tal qual o foi Saddam, nos porões da ditadura disfarçada estadunidense -, mas a plaything nas mãos do presidente Bush - em cuja face posso antever um sorrisinho imundo de satisfação ao assistir à queda voluntária do Comandante -, que apenas quer a ilha para sua incrementar sua coleção, para mostrar aos amiguinhos como ele conseguiu tomar, do vizinho chato e fraquinho, seu brinquedo novo.

Talvez ainda não seja chegado o fim, talvez Cuba ainda resista, Fidel continua lá, por trás de tudo, manipulando com mãos, outrora firmes, os movimentos de seu irmão Raul e os caminhos de uma Cuba pós-Batista, de uma Cuba que resistiu a todo o bloqueio imposto, que conseguiu fazer admiradas sua educação e saúde, apesar dele.

Já não acredito que o mundo possa ser igual, que as pessoas possam ter iguais direitos e oportunidades, que as leis se façam valer de forma igual para todos e que todos possam gozar dos mesmos benefícios, perdi-me no meio do caminho, tornei-me egoísta, estúpida, não sei como aconteceu... aconteceu! E a renúncia de Fidel lançou a pedra que faltava para o enterro de meus mais belos sonhos. O meu marxismo, há muito debilitado e fraco, caducou, lavou as mãos... ya no me quiero ir a Cuba.