April 2, 2009

Essas minhas vontades...


Batendo pelos que se foram
Ou batendo pelos que voltaram
Os tambores de Minas soarão
Seus tambores nunca se calaram


[Milton Nascimento e Márcio Borges, Tambores de Minas]



Passados alguns meses do meu début na terra tio Sam, já não há mais o que me faça ter saudade do Brasil. Me chamem de insensível ou o que queiram, mas me sinto em casa, como me senti em cada um dos lugares por onde passei, deve ser coisa do zodíaco (sempre o zodíaco), peixe que é peixe sobrevive em qualquer poça d'água.

As saudades que tenho são saudades antigas, saudade de casas velhas, de cheiros e de gente. Saudades de coisas que eu sei não serão como minhas saudades as pintam. Saudades que essa gente não entende e me toma por infeliz. Essa saudade, porém, é coisa do ser mineiro, de cultivar lembranças do fogão à lenha, do lamento dos escravos, das ruas de pedra, do badalar triste dos sinos das igrejas do Rosário, de menino subindo ladeira, de rios correndo pro mar. É saudade que sempre vai me acompanhar, seja aqui ou lá, é a tristeza que Drummond tornou pública e ainda insistem em não entender. E eu vivo bem com minhas saudades e meus desejos de estar em lugares que nem sei que lugares são. Mas, por agora, se eu pudesse, e meu dinheiro desse, faria a vontade de Sophia e ficaria por aqui forever.

Pena é esse mundo ter fronteiras pra me arrastarem de volta. Já é de longa data esse meu desprezo por fronteiras, mas isso é matéria pra outro post. Enquanto der vou ficando por aqui... e sonhando Brasis que não existem senão em meus sonhos.

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