January 31, 2008

Um sonho a mais não faz mal

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

[Alberto Caeiro - I]

Foi uma menina, que a poucos minutos apresentou-se a esse mundo blog, que fez-me nascer a vontade de escrever minhas primeiras linhas 'de verdade' aqui. Como devem sabê-lo alguns, muito me custa controlar o redemoinho de idéias que me vêm todo o tempo, mas tenho deixado-nas morrer tão rápido quanto surgem, talvez por não ter mais o tempo de que antes dispunha, talvez por muito tempo dispensar em minhas tentativas de realizar novos sonhos... tantos que mal os posso contar.

Faz muito trago comigo a vontade de escrever que outrora deixei esmaecer, de expor-me aqui e acolá, de falar sobre o que vejo, sobre o que sinto, de dividir experiências e contar-me nas entranhas de linhas muitas vezes não lidas, linhas lidas sem o saber, linhas que escondem uma eu que não se vê, que não se lê, linhas que carregam quereres tão entranhados, que passam desapercebidos mesmo pelos olhos do leitor mais atento, como passo eu desapercebida entre os transeuntes numa rua qualquer.

Talvez seja esse o início, o empurrão de que eu precisava para trazer-me de volta às letras que estão por toda parte em minha vida, à palavra escrita que tanto tento dominar, trazer sob minhas rédeas para traduzir-me.

Eis me aqui outra vez, apenas com a certeza do incerto, do não saber por quanto tempo estarei entregue a esse mundo, se estas são minhas primeiras e últimas linhas ou se outras mais viram.

Em companhia d'Ana, eu [re]começo... 



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