Pensar incomoda como andar à chuva
[Alberto Caeiro - I]
Faz muito trago comigo a vontade de escrever que outrora deixei esmaecer, de expor-me aqui e acolá, de falar sobre o que vejo, sobre o que sinto, de dividir experiências e contar-me nas entranhas de linhas muitas vezes não lidas, linhas lidas sem o saber, linhas que escondem uma eu que não se vê, que não se lê, linhas que carregam quereres tão entranhados, que passam desapercebidos mesmo pelos olhos do leitor mais atento, como passo eu desapercebida entre os transeuntes numa rua qualquer.
Talvez seja esse o início, o empurrão de que eu precisava para trazer-me de volta às letras que estão por toda parte em minha vida, à palavra escrita que tanto tento dominar, trazer sob minhas rédeas para traduzir-me.
Eis me aqui outra vez, apenas com a certeza do incerto, do não saber por quanto tempo estarei entregue a esse mundo, se estas são minhas primeiras e últimas linhas ou se outras mais viram.
Em companhia d'Ana, eu [re]começo...
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